sexta-feira, 24 de abril de 2009

Jornal do EFA


Estamos em condições de descansar todos aqueles (e são muitos, mesmo muitos) que estão em pulgas para poderem deitar a mão ao segundo número do nosso jornal... Atenção!! Ele já está pronto e começa a ser distribuído durante a nossa Feira Solidária. Não terá preço de capa, mas quem quiser contribuir com alguma coisa (leia-se, alguns cêntimos ou euros) pode fazê-lo. Pedimos alguma paciência. Para a semana já o poderão desfrutar... Obrigado!
Esta montagem fotográfica foi elaborada pela formanda Elisabete Louças.

Feira Solidária


Por estes dias, andamos todos atarefados a preparar a próxima actividade integradora. Se S. Pedro resolver ajudar, cremos que vai ser algo em grande. Todos são muito bem vindos!!
Temos muita e boa comida e bebida, barracas com rifas, venda de roupas, música, jogos, etc.
Venham e divirtam-se. Ao fazê-lo, estarão a ajudar quem mais precisa!
Sejam solidários!
P.S. (Atenção! Isto é apenas um Post Scriptum): Os preços são muito, mas mesmo muito acessíveis! Quanto à qualidade da comida... Oh! disso nem se fala! Caso não acredita, venha, prove e comprove!
Apostamos que não se arrependerá!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Voz do EFA


Está quase a chegar o segundo número do nosso jornal.

"SETE PASSOS"


“Sete Passos” pelas ruas de Freixo de Espada à Cinta


No tempo da Quaresma, as gentes da vila de Freixo de Espada à Cinta continuam a manter viva a tradição da procissão dos “Sete Passos”.
O ritual, único em todo o país, tem uma organização que passa de pais para filhos, não havendo espaço para a entrada de pessoas estranhas.
Quando o relógio da Torre Heptagonal assinala o primeiro batimento das doze badaladas a iluminação pública da vila é apagada, ficando todo o percurso escuro como o breu.
Dá-se então início à procissão que percorre as principais ruas da localidade, que são escolhidas ao acaso, para ver passar o ritual de Encomendação das Almas. O percurso tem início junto à porta principal da Igreja Matriz e demora cerca de duas horas.
O grupo coral que acompanha a procissão entoa um cântico dolente e penetrante, cantado em português e latim, apenas junto a igrejas e encruzilhadas.
A figura principal de toda a procissão é a “velhinha”, uma personagem vestida de negro, que percorre todo o trajecto curvada, com “cajado” na mão e com uma lanterna alimentada a azeite na outra. Outro dos elementos em destaque neste ritual é uma bota com vinho, que significa o sangue derramado de Cristo.
Há períodos da procissão em que as pessoas se aproximam da velhinha com humildade, em sinal de penitência, que dá de beber, apenas, a quem demonstre respeito e arrependimento. A identidade de quem encarna tal personagem é sempre motivo de curiosidade, já que não é fácil saber de quem se trata.
Quanto à designação “Sete Passos” é entendida como o compasso, visto que toda a procissão é efectuada ao ritmo de um compasso de sete passos, bem medidos e compassados.
Os sons das peças de ferro, presas a uma corrente e puxadas por dois homens encapuzados, que são arrastadas ao longo do trajecto tornam a via-sacra ainda mais penitente.
A última noite dos “Sete Passos” é a mais esperada por todos os freixenistas, já que nas anteriores seis sextas-feiras todas as personagens que compõem a procissão são masculinas. Na Sexta-feira Santa juntam-se às restantes personagens um grupo de mulheres, conhecidas pelas três Marias.
Esta procissão é encarada com respeito, arrependimento e penitência sentimentos característicos dos ambientes medievais que se viveram em Freixo de Espada à Cinta. Nesses tempos, esta procissão também tinha outro objectivo, era oferecer bens alimentares pela alma dos entes queridos, não existindo a agora típica velhinha, mas sim uma mesa com todos esses bens. Mais tarde, alguém se lembrou de retirar a mesa e a pessoa que quisesse ofertar seria a velhinha. Mais tarde essa típica velhinha era escolhida por alguém e não se podia recusar. Mas a velhinha ao ser escolhida sabia que provavelmente algo lhe ia acontecer de mal (ajuste de contas), pela pessoa que a convidou. Como é tradição a vila estar às escuras, a distância que separa a velhinha das vozes propiciava o cenário ideal para esse ajuste de contas, pois não haveria assim provas do crime.


Sónia Mora Rebanda

Coisas muito boas


Tradições gastronómicas do Carnaval e da Páscoa em Freixo

Ao contrário do que acontece com outros feriados e celebrações religiosas, a Páscoa não tem uma data fixa. Assim, no Concílio de Niceia (séc. IV d.C.) convencionou-se que a data da Páscoa fosse calculada em função da Lua, entre os dias 22 de Março e 25 de Abril. Deste modo, o domingo de Páscoa é marcado para a primeira Lua Cheia depois do início da Primavera. Sendo que a Primavera, este ano, se inicia a 20 de Março, a Lua Cheia determina que a Semana Santa se celebre entre 5 (Domingo de Ramos) e 12 de Abril (Domingo de Páscoa).
O início destas celebrações começa a seguir ao dia de Carnaval. Neste dia de folia, os crentes celebram a ocasião com uma refeição típica da nossa região, que é um cozido só à base de carne de porco. É confeccionado com o postorelho, os pés e alguns enchidos, como o salpicão de ossos. No dia seguinte, Quarta-feira de cinzas, não se pode comer qualquer tipo de carne, só peixe. Estamos no início dos quarenta dias que antecedem o Domingo de Páscoa, ou seja, a Quaresma, que para os cristãos é um período de oração, penitência e (alguma) abstinência, embora, hoje em dia, os portugueses não sejam muito rigorosos na observância destas práticas, pelo menos em comparação com os de antigamente. A título de exemplo, no passado, durante a Quaresma, havia a total proibição de ingestão de alimentos de origem animal.
A Páscoa é a festa mais importante do mundo cristão, uma vez que se celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ao contrário do que possamos pensar, a Páscoa é muito mais marcante do que o próprio Natal, já que o acontecimento determinante para o mundo cristão é celebrado na Páscoa: a ressurreição de Jesus.
A Páscoa que se celebra nos dias de hoje pouco ou nada tem a ver com a que era inicialmente celebrada tendo sido deturpada ao longo do tempo, sobretudo com a introdução de inúmeros rituais de origem pagã.
A Páscoa em Freixo de Espada à Cinta é uma época característica de presentes cerimoniais, sobretudo de índole alimentar, e os presentes da Páscoa levam o nome genérico de «folares».
O rio Douro marca o limite da difusão de um tipo de folar “empada”. Freixo de Espada à Cinta, situado em Trás-os-Montes, não deixa de ter também a sua tradição da empada. É uma massa normal, feita com farinha, ovos, leite, manteiga e azeite, que encerra pedaços de carne de porco, presunto e rodelas de salpicão, cozidos dentro de massa, que junto deles fica mais tenra com a gordura que deles se desprende. Há, ainda, uma empada que também contempla o azeite como ingrediente, sendo também muito apreciada. Tal como a anterior, também é enriquecida com carne. Somos a única zona de Trás-os-Montes em que as empadas são achatadas e rectangulares. As empadas em Freixo são feitas no forno onde normalmente se coze o pão. E muito próximo ao domingo de Páscoa.
Além de fazer as empadas, os Freixenistas aproveitavam o forno a lenha para fazerem os bolos dormidos, os matrafões e os fidalguinhos, que também são bolos tradicionais da Páscoa.
Para as refeições de domingo de Páscoa, qualquer pessoa tem um bocadinho de cabrito para assar no forno.
A partir dos anos cinquenta, criou-se o hábito de, na segunda-feira de Páscoa, se ir comer o folar para a Matança, sobretudo desde que as obras da barragem espanhola do Saltinho (Salto) se iniciaram. Chama-se a isto desfazer o folar. Assim, aproveitando o bom tempo que normalmente se faz sentir, de posse de uma boa merenda (antigamente, mais na Matança, hoje, mais na Congida) as gentes de Freixo vão comer ao ar livre. O repasto é constituído por carnes assadas, não faltando o cabrito, mas, desta vez, não assado no forno, mas sim na brasa, muitas variedades de sobremesas e bebidas. É um dia de folia e só termina ao cair da noite. Foi assim que nasceu o feriado municipal, até porque ninguém ficava em casa....
Elisabete Louças

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Editorial do 2º número de "A Voz do EFA"

Eis que chega às vossas mãos o segundo número de “A Voz do EFA”. Foi feito com gosto e entusiasmo e ambiciona ser do vosso agrado.
O presente número do nosso jornal é dedicado a três temas: a amendoeira, a seda e as tradições religiosas e pagãs vividas em Freixo, entre o Carnaval e a Páscoa.
Vivemos neste cantinho de Portugal e, apesar de não estarmos à beira-mar, também aqui somos um jardim plantado. Em Março, somos visitados por milhares de pessoas que, para além da boa gente e da boa comida, vêm para ver o deslumbrante manto florido proporcionado pelas amendoeiras. Espectáculo arrebatador que nos é providenciado pela mãe natureza em conjunto com o labor das mãos humanas. O fruto dessa divina árvore é muito utilizado na gastronomia, particularmente na doçaria. Aqui vos deixamos três receitas para que possam levar a amêndoa à vossa mesa. Pena é que nem tudo vá bem com esta produção, pois, por exemplo, não é fácil competir com os grandes produtores, nomeadamente a Califórnia, responsável por 95 % da produção mundial de amêndoa.
Mas Freixo também está reconhecidamente ligado à produção da seda. A entrevista deste número é dedicada a este tema. Quem se dispuser a lê-la por certo irá aprender algo de novo sobre esta arte tão antiga.
Finalmente, resolvemos incluir neste número uns apontamentos sobre algumas das tradições que, nesta quadra que medeia entre o Carnaval e a Páscoa, se vivem em Freixo de Espada à Cinta. Aqui surgem, por exemplo, o “Enterro do Entrudo”, os “Sete Passos” ou, ainda, o rebentamento do Judas.
Freixo é uma terra com fortes tradições, algumas delas bem curiosas e próprias daqui. Consideramos que elas merecem e deveriam ser alvo de uma mais profusa divulgação, pois isso atrairia ainda mais visitantes a este belo recanto da lusitana terra.