
“Sete Passos” pelas ruas de Freixo de Espada à Cinta
No tempo da Quaresma, as gentes da vila de Freixo de Espada à Cinta continuam a manter viva a tradição da procissão dos “Sete Passos”.
O ritual, único em todo o país, tem uma organização que passa de pais para filhos, não havendo espaço para a entrada de pessoas estranhas.
Quando o relógio da Torre Heptagonal assinala o primeiro batimento das doze badaladas a iluminação pública da vila é apagada, ficando todo o percurso escuro como o breu.
Dá-se então início à procissão que percorre as principais ruas da localidade, que são escolhidas ao acaso, para ver passar o ritual de Encomendação das Almas. O percurso tem início junto à porta principal da Igreja Matriz e demora cerca de duas horas.
O grupo coral que acompanha a procissão entoa um cântico dolente e penetrante, cantado em português e latim, apenas junto a igrejas e encruzilhadas.
A figura principal de toda a procissão é a “velhinha”, uma personagem vestida de negro, que percorre todo o trajecto curvada, com “cajado” na mão e com uma lanterna alimentada a azeite na outra. Outro dos elementos em destaque neste ritual é uma bota com vinho, que significa o sangue derramado de Cristo.
Há períodos da procissão em que as pessoas se aproximam da velhinha com humildade, em sinal de penitência, que dá de beber, apenas, a quem demonstre respeito e arrependimento. A identidade de quem encarna tal personagem é sempre motivo de curiosidade, já que não é fácil saber de quem se trata.
Quanto à designação “Sete Passos” é entendida como o compasso, visto que toda a procissão é efectuada ao ritmo de um compasso de sete passos, bem medidos e compassados.
Os sons das peças de ferro, presas a uma corrente e puxadas por dois homens encapuzados, que são arrastadas ao longo do trajecto tornam a via-sacra ainda mais penitente.
A última noite dos “Sete Passos” é a mais esperada por todos os freixenistas, já que nas anteriores seis sextas-feiras todas as personagens que compõem a procissão são masculinas. Na Sexta-feira Santa juntam-se às restantes personagens um grupo de mulheres, conhecidas pelas três Marias.
Esta procissão é encarada com respeito, arrependimento e penitência sentimentos característicos dos ambientes medievais que se viveram em Freixo de Espada à Cinta. Nesses tempos, esta procissão também tinha outro objectivo, era oferecer bens alimentares pela alma dos entes queridos, não existindo a agora típica velhinha, mas sim uma mesa com todos esses bens. Mais tarde, alguém se lembrou de retirar a mesa e a pessoa que quisesse ofertar seria a velhinha. Mais tarde essa típica velhinha era escolhida por alguém e não se podia recusar. Mas a velhinha ao ser escolhida sabia que provavelmente algo lhe ia acontecer de mal (ajuste de contas), pela pessoa que a convidou. Como é tradição a vila estar às escuras, a distância que separa a velhinha das vozes propiciava o cenário ideal para esse ajuste de contas, pois não haveria assim provas do crime.
Sónia Mora Rebanda
No tempo da Quaresma, as gentes da vila de Freixo de Espada à Cinta continuam a manter viva a tradição da procissão dos “Sete Passos”.
O ritual, único em todo o país, tem uma organização que passa de pais para filhos, não havendo espaço para a entrada de pessoas estranhas.
Quando o relógio da Torre Heptagonal assinala o primeiro batimento das doze badaladas a iluminação pública da vila é apagada, ficando todo o percurso escuro como o breu.
Dá-se então início à procissão que percorre as principais ruas da localidade, que são escolhidas ao acaso, para ver passar o ritual de Encomendação das Almas. O percurso tem início junto à porta principal da Igreja Matriz e demora cerca de duas horas.
O grupo coral que acompanha a procissão entoa um cântico dolente e penetrante, cantado em português e latim, apenas junto a igrejas e encruzilhadas.
A figura principal de toda a procissão é a “velhinha”, uma personagem vestida de negro, que percorre todo o trajecto curvada, com “cajado” na mão e com uma lanterna alimentada a azeite na outra. Outro dos elementos em destaque neste ritual é uma bota com vinho, que significa o sangue derramado de Cristo.
Há períodos da procissão em que as pessoas se aproximam da velhinha com humildade, em sinal de penitência, que dá de beber, apenas, a quem demonstre respeito e arrependimento. A identidade de quem encarna tal personagem é sempre motivo de curiosidade, já que não é fácil saber de quem se trata.
Quanto à designação “Sete Passos” é entendida como o compasso, visto que toda a procissão é efectuada ao ritmo de um compasso de sete passos, bem medidos e compassados.
Os sons das peças de ferro, presas a uma corrente e puxadas por dois homens encapuzados, que são arrastadas ao longo do trajecto tornam a via-sacra ainda mais penitente.
A última noite dos “Sete Passos” é a mais esperada por todos os freixenistas, já que nas anteriores seis sextas-feiras todas as personagens que compõem a procissão são masculinas. Na Sexta-feira Santa juntam-se às restantes personagens um grupo de mulheres, conhecidas pelas três Marias.
Esta procissão é encarada com respeito, arrependimento e penitência sentimentos característicos dos ambientes medievais que se viveram em Freixo de Espada à Cinta. Nesses tempos, esta procissão também tinha outro objectivo, era oferecer bens alimentares pela alma dos entes queridos, não existindo a agora típica velhinha, mas sim uma mesa com todos esses bens. Mais tarde, alguém se lembrou de retirar a mesa e a pessoa que quisesse ofertar seria a velhinha. Mais tarde essa típica velhinha era escolhida por alguém e não se podia recusar. Mas a velhinha ao ser escolhida sabia que provavelmente algo lhe ia acontecer de mal (ajuste de contas), pela pessoa que a convidou. Como é tradição a vila estar às escuras, a distância que separa a velhinha das vozes propiciava o cenário ideal para esse ajuste de contas, pois não haveria assim provas do crime.
Sónia Mora Rebanda
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